Ependimoma de Fossa Posterior (PF-A e PF-B)
Sinônimos: ependimoma do quarto ventrículo, ependimoma infratentorial, ependimoma da fossa posterior da infância
"Ele nasce no fundo do cérebro, onde cada milímetro é vital — por isso os primeiros sinais costumam ser vômitos pela manhã e desequilíbrio, e não dor."
Como começa?
- 🤢 Vômitos matinais: o sinal clássico — a criança vomita ao acordar, melhora ao longo do dia, e o padrão se repete; é a pressão intracraniana dando aviso.
- 🤕 Dor de cabeça ao acordar: que alivia durante a manhã e volta no dia seguinte, cada vez mais frequente.
- 🚶 Desequilíbrio e quedas: andar cambaleante, "como bêbado", porque o tumor pressiona o cerebelo — a central de equilíbrio do corpo.
- 💧 Hidrocefalia: o tumor bloqueia a saída do líquor, que se acumula; em bebês, a cabeça aumenta e a moleira fica tensa.
- 🙇 Torcicolo ou cabeça inclinada: a criança compensa o desconforto inclinando a cabeça para um lado — sinal que merece atenção.
O que está acontecendo no cérebro?
No fundo do crânio existe um espaço chamado fossa posterior, onde ficam o cerebelo e o tronco encefálico — o "cabo de força" que liga o cérebro ao resto do corpo. Ali também passa o quarto ventrículo, uma estação do circuito do líquor. O ependimoma nasce das células que forram esse ventrículo: como azulejos que se multiplicam sem parar, até obstruir o encanamento. É por isso que a hidrocefalia é tão comum nesse tumor.
A OMS (SNC5) separa esses tumores em dois grandes grupos moleculares. O PF-A aparece em crianças pequenas (em geral menores de 5 anos), tende a crescer para os lados — abraçando nervos e vasos que passam por ali — e costuma ser mais agressivo. O PF-B surge em crianças maiores e adultos, fica mais na linha do meio e responde melhor ao tratamento.
Curiosamente, PF-A e PF-B quase não têm mutações no DNA: o que os diferencia são "marcações químicas" sobre o DNA (a epigenética) — como um marca-texto grifando as partes erradas do manual da célula. Essa diferença invisível explica por que dois tumores parecidos ao microscópio se comportam de forma tão distinta.
Tratamento
- 🔪 Cirurgia de ressecção total: a base do tratamento; retirar todo o tumor visível é o que mais aumenta a chance de cura — mesmo quando ele está colado a estruturas delicadas.
- 💧 Controle da hidrocefalia: em muitos casos é preciso drenar o líquor (ventriculostomia) antes ou durante a cirurgia, aliviando a pressão com segurança.
- ☢️ Radioterapia focal: indicada após a cirurgia na maioria das crianças acima de 12 a 18 meses, para proteger contra recidivas no leito do tumor.
- 💊 Quimioterapia em bebês: usada para adiar a radioterapia nas crianças muito pequenas, poupando o cérebro em pleno desenvolvimento.
- 🔁 Reoperação em recidiva: se o tumor voltar, uma segunda cirurgia costuma ser a primeira opção avaliada pela equipe.
Cuidados essenciais
- 🧬 Confirme o grupo molecular (PF-A ou PF-B) no laudo: ele orienta a intensidade do tratamento e do acompanhamento.
- 🍽️ Avalie fala e deglutição após a cirurgia: a proximidade com o tronco encefálico pode afetar engolir e falar — a reabilitação precoce protege.
- 🧒 Invista na reabilitação: fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional ajudam a criança a recuperar equilíbrio, força e desenvolvimento.
- 📅 Vigilância com ressonância por muitos anos: recidivas tardias existem — e quanto antes detectadas, mais opções de tratamento.
⚠️ Aviso: Vômitos matinais persistentes, dor de cabeça que acorda à noite, desequilíbrio progressivo ou aumento da cabeça em bebês são sinais de alarme: procure avaliação urgente. Este material informa, mas não substitui a consulta com neurologista ou neurocirurgião.
