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Endoscopia de coluna: cirurgia com câmera, não o exame do estômago

Dor na perna que não passa? Entenda se a cirurgia endoscópica serve para você.

A dor na perna pode tirar o sono e atrapalhar o trabalho e o tempo com a família. Se o tratamento sem cirurgia não melhorou o bastante e a ressonância explica a dor, a cirurgia pode ser uma opção. Num estudo feito em quatro hospitais da Holanda e publicado em 2022, com centenas de pacientes com hérnia, um tipo de cirurgia endoscópica aliviou em média a dor na perna um ano depois. O alívio foi parecido com o da cirurgia aberta (com corte maior, feita com lupa ou microscópio).

Dor que desce pela pernaPernas que doem ou cansam ao caminharSinais de urgência

Atendimento particular. O orçamento da cirurgia, se indicada, vem só depois da avaliação.

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Sala de cirurgia ampla, clara e vazia: uma mesa coberta por um lençol azul, uma torre de vídeo com a tela em tons neutros e, ao lado da mesa, o aparelho de raio-X em forma de arco; num carrinho, duas telas mostram raio-X da coluna. Sem pessoas. Cena ilustrativa.
Cena ilustrativa.

Dr. Joel Augusto Ribeiro TeixeiraMédico · CRM-SP 73.479 · Neurocirurgião · RQE 15.854

Dr. Flávio Key MiuraMédico · CRM-SP 75.675 · Neurocirurgião · RQE 21.776

Por que a dor desce pela perna.

Entre uma vértebra e outra existe um disco. Ele funciona como um amortecedor: tem um núcleo de gel dentro de um anel resistente.

Na hérnia de disco, parte do gel escapa pelo anel e aperta uma raiz nervosa, que desce para a perna. É como apertar o ponto do cotovelo que dá choque: o aperto é num lugar, e o choque vai até os dedos.

Disco normal

Imagem ilustrativa: corte transversal de um disco saudável da coluna lombar visto de cima; um anel de camadas claras envolve um núcleo de gel azul no centro; atrás do disco, um canal ósseo protege um saco com pequenos nervos, e de cada lado as raízes nervosas passam soltas, com folga.Núcleo (gel)Anel fibrosoRaiz nervosa livre123
  1. 1Núcleo (gel)
  2. 2Anel fibroso
  3. 3Raiz nervosa livre

Disco com hérnia

Imagem ilustrativa: o mesmo corte de disco visto de cima, agora com uma rachadura no anel de camadas; parte do gel azul do centro escapou para trás, para dentro do canal, e aperta uma raiz nervosa, que fica achatada. A raiz do outro lado continua redonda e livre.Rachadura no anelGel que escapou (hérnia)Raiz nervosa apertada123
  1. 1Rachadura no anel
  2. 2Gel que escapou (hérnia)
  3. 3Raiz nervosa apertada
Imagem ilustrativa.
Imagem ilustrativa: figura humana neutra, sem rosto, vista de costas e de lado; na parte baixa das costas, um disco aperta uma raiz nervosa do lado esquerdo, e uma linha âmbar mostra o caminho da dor descendo pela nádega, pela parte de trás da coxa e pela lateral da perna até o peito do pé.1234
  1. Raiz nervosa apertada
  2. Nádega
  3. Parte de trás da coxa
  4. Peito do pé
O caminho varia de pessoa para pessoa. Imagem ilustrativa.

No canal estreito, o túnel por onde passam os nervos fica apertado.

A boa notícia

A maioria das pessoas com ciática (dor que desce pela perna) por hérnia melhora sem operar. O primeiro passo costuma ser exercício orientado ou fisioterapia. Remédios e infiltração ajudam alguns, com efeito limitado ou passageiro, e remédios podem ter efeitos colaterais. Leia mais sobre o tratamento sem cirurgia.

Quando a cirurgia entra na conversa

Quando a dor na perna continua forte apesar do tratamento e a ressonância ou a tomografia explica o que você sente. Na hérnia, operar costuma aliviar a perna mais depressa do que seguir esperando. Em quem tinha 6 a 12 semanas de dor, a diferença diminuiu com o tempo.

Operar ou esperar: o que as pesquisas mostram
  • Na Holanda, pesquisadores acompanharam centenas de pessoas com ciática forte havia 6 a 12 semanas. Um sorteio decidiu quem operava logo e quem esperava, com tratamento e a opção de operar depois. Quem operou logo teve alívio da perna mais depressa. Um ano depois, os dois grupos estavam parecidos, e parte de quem esperou acabou operando.
  • No Canadá, em pessoas com ciática havia 4 a 12 meses, quem operou estava com menos dor na perna seis meses depois do que o grupo sorteado para seguir sem cirurgia (parte dele acabou operando). Essa pesquisa foi feita em um só hospital. Numa pesquisa grande nos Estados Unidos, os resultados foram diferentes: muita gente trocou de grupo, e a comparação pelo sorteio não mostrou diferença clara. Mesmo assim, o tempo de dor pesa na decisão.
  • Nas duas pesquisas, a cirurgia era a aberta. Elas respondem se vale operar, e não qual técnica usar.
  • A hérnia pode diminuir sozinha com o tempo, mas a imagem nem sempre acompanha a dor. E a imagem sozinha não decide: ela precisa combinar com o que você sente.

Não espere a consulta. Procure um pronto-socorro se tiver:

  • alteração nova para urinar, ou para segurar a urina ou as fezes;
  • dormência na região íntima, entre as pernas ou nos glúteos;
  • fraqueza nas pernas ou nos pés que seja nova ou importante, mesmo sem os outros sinais.

Após trauma importante, com história de câncer ou uso prolongado de corticoide, dor nas costas também merece avaliação médica.

Em qual destes você se reconhece?

Dor que desce pela perna

hérnia de disco lombar com ciática

O que você sente

Dor que desce da nádega pela perna, às vezes até o pé, com formigamento.

Homem de meia-idade, de costas, sentado na beira da cama pela manhã, amarra o tênis. Imagem ilustrativa.
Imagem ilustrativa.
Esquema ilustrativo.

Como a endoscopia ajuda

Pela câmera, o cirurgião tira o pedaço do disco que aperta o nervo. Um estudo holandês comparou a endoscopia pela lateral (pelo lado das costas) com a cirurgia aberta. Com cirurgiões já treinados, o alívio da dor na perna nos dois grupos foi parecido um ano depois. Na nossa experiência porém, o paciente se sente mais confortável com uma incisão menor. A dor local costuma ser bem tolerada após o procedimento e conseguimos dar alta para o paciente mais rápido. Este se sente apto para voltar às suas atividades rotineiras e trabalho mais precocemente.

Mais detalhes
  • No estudo holandês, os primeiros casos de aprendizado dos cirurgiões ficaram fora da conta principal. As diferenças entre as duas cirurgias foram pequenas, e os próprios autores dizem que talvez não mudem o dia a dia. O acompanhamento foi de um ano.
  • Um resumo de 14 pesquisas, feito pelo mesmo grupo holandês, também não viu diferença na dor na perna a partir de alguns meses. Um resumo mais antigo, de 2014, que juntou várias técnicas menos invasivas, viu a dor na perna um pouco pior com elas, numa diferença pequena.
  • O nível e a posição da hérnia pesam na escolha. Na parte mais baixa da coluna, o osso da bacia pode atrapalhar a entrada pela lateral; às vezes é preciso entrar por trás ou usar outra técnica.
  • Hérnia calcificada (endurecida) é mais difícil e é avaliada caso a caso.

Pernas que doem ou cansam ao caminhar

estenose do canal lombar (canal estreito)

O que você sente

Dor ou cansaço nas nádegas e nas pernas, que piora em pé ou andando e alivia ao sentar ou ao se inclinar para a frente.

Pessoa idosa, de costas, caminha por uma calçada arborizada, com uma sacola na mão. Imagem ilustrativa.
Imagem ilustrativa.

Canal normal

Imagem ilustrativa: corte da coluna lombar visto de cima, com o canal dos nervos de tamanho normal.

Canal estreito

Imagem ilustrativa: corte da coluna lombar visto de cima com o canal estreitado; as articulações de trás e o ligamento estão engrossados e o disco abaulado, deixando pouco espaço para o saco de nervos, que fica achatado e apertado.1234
  1. 1Articulação engrossada
  2. 2Ligamento engrossado
  3. 3Disco abaulado
  4. 4Raiz nervosa apertada
Imagem ilustrativa.
  • Tamanho do canal normal
  • Espaço que falta para os nervos
Imagem ilustrativa.

Como a endoscopia ajuda

Entrando por trás, entre as vértebras, o cirurgião tira o que estreita o canal e libera os nervos. Em dois estudos alemães da mesma equipe, em casos escolhidos, o resultado em 2 anos foi parecido com o da cirurgia aberta.

Mais detalhes
  • As duas pesquisas alemãs, de 2015 e de 2009, são da equipe que desenvolve a técnica; uma não confirma a outra de forma independente. Elas tiveram bem menos pacientes que o estudo holandês da hérnia.
  • Uma pesquisa menor, de 2023, de outra equipe, comparou a endoscopia de uma só entrada com uma cirurgia com microscópio feita através de um tubo. O resultado em 2 anos foi parecido.
  • Canal estreito na imagem é comum em pessoas mais velhas sem nenhum sintoma. O que pesa é o que você sente, junto com o exame.
  • Os sintomas podem ir e vir, e a piora rápida de força ou de sensibilidade é rara nos casos leves e moderados.
  • Fisioterapia orientada é uma opção séria, e parte de quem começa por ela acaba operando.
  • Se uma vértebra escorregou sobre a outra e a coluna ficou instável, pode ser preciso fixá-la com parafusos; uma revisão de estudos trata essa instabilidade como contraindicação à endoscopia.

Hérnia de disco na altura das costelas (casos raros)

hérnia de disco torácica

Ilustração anatômica da coluna vista de lado, com a região na altura das costelas destacada em azul. Imagem ilustrativa.Região mais comum, de T8 a L11
  1. 1Região mais comum, de T8 a L1
Imagem ilustrativa.

O que você sente

Quando dá sintomas, pode causar dor difícil de controlar. Por ficar perto da medula (o cordão de nervos dentro da coluna), pode causar também perda de força ou de sensibilidade.

Como a equipe avalia

Há poucas pesquisas sobre ela, e a equipe avalia caso a caso, com ressonância ou tomografia para planejar.

Mais detalhes
  • O achado de hérnia nessa altura é comum em exames de quem não sente nada; a imagem sozinha não decide.
  • O que se sabe sobre a endoscopia nessa região vem de relatos de grupos de pacientes operados, sem pesquisas em que um sorteio decidisse a cirurgia.
  • As comparações com a cirurgia aberta juntaram pacientes diferentes; por isso, não mostram que uma seja superior à outra.
  • Nessa região passam vasos que irrigam a medula; por isso o planejamento por imagem é importante.
  • Hérnias grandes e calcificadas no centro do canal costumam pedir outra via de acesso.
  • Por ser perto da medula, há risco de piora da força ou da sensibilidade.

Se você se reconheceu, vamos conversar.

Atendimento particular. Orçamento da cirurgia após a avaliação.

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Como é a cirurgia endoscópica.

Depois da anestesia, o cirurgião faz um corte nas costas e passa o endoscópio: um tubo com câmera. Olhando o monitor, ele retira o que aperta o nervo.

Na prática

  • Um corte, dois caminhos.A equipe opera por um só corte: pela lateral (via transforaminal) ou por trás, entre as vértebras (via interlaminar). A escolha depende de onde está a hérnia e da forma do seu corpo.
  • Cicatriz menor (pela lateral).Em um estudo holandês, ficou menor que a da cirurgia aberta.
  • Anestesia.Pela lateral, em geral é anestesia local, com sedação: um remédio que deixa você relaxado e sonolento. Por trás (hérnia por trás e canal estreito), em geral é anestesia geral, com você dormindo.
  • Internação.Em geral, você fica 1 dia no hospital, por cuidado; sair no mesmo dia é possível. No estudo holandês, a endoscopia pela lateral foi planejada sem precisar dormir no hospital.

Raio-X durante a cirurgia

Imagem ilustrativa: tela de um aparelho de raio-X no centro cirúrgico mostra a parte baixa da coluna vista de frente; um tubo fino entra pela lateral e chega ao espaço entre duas vértebras, por onde sai o nervo. Fundo desfocado, sem pessoas.Endoscópio (tubo com câmera)1
  1. 1Endoscópio (tubo com câmera)
Imagem ilustrativa.
Imagem ilustrativa: lateral da região lombar de um manequim, com uma marca de cicatriz muito pequena no flanco e uma barra de escala de um centímetro ao lado.
Cicatriz em geral muito pequena, no flanco, nas cirurgias pela lateral. Imagem ilustrativa.

Um corte, dois caminhos.

Imagem ilustrativa: corte da coluna lombar visto de cima, com uma hérnia de disco do lado esquerdo do paciente; um tubo fino e reto, com uma pequena luz na ponta, entra pelo lado das costas, passa pela abertura natural por onde a raiz nervosa sai da coluna e para junto da hérnia.1234
Imagem ilustrativa: o mesmo corte da coluna lombar visto de cima, com a hérnia do lado esquerdo do paciente; um tubo fino e reto, com uma pequena luz na ponta, entra por trás, por um espaço natural entre os ossos, passa ao lado do ligamento e do saco de nervos e para na hérnia.123456

Pela lateral (via transforaminal)

  1. 1Endoscópio (tubo com câmera)
  2. 2Entrada pela lateral
  3. 3Hérnia (gel que escapou)
  4. 4Raiz nervosa apertada

Por trás, entre as vértebras (via interlaminar)

  1. 1Endoscópio (tubo com câmera)
  2. 2Entrada por trás
  3. 3Espaço natural entre os ossos
  4. 4Ligamento
  5. 5Hérnia (gel que escapou)
  6. 6Saco de nervos
Um corte, dois caminhos: pela lateral ou por trás. A escolha depende de onde está a hérnia e da forma do seu corpo. Imagens ilustrativas.
E no canal estreito?

Passo 1

Imagem ilustrativa: corte da coluna lombar visto de cima com o canal estreitado, com articulações e ligamento engrossados; um tubo fino e claro com uma pequena luz na ponta chega por trás e encosta no osso, junto ao ponto em que o canal está apertado.12345
  1. 1Endoscópio (tubo com câmera)
  2. 2Entrada por trás
  3. 3Osso e articulação engrossados
  4. 4Ligamento engrossado
  5. 5Nervos apertados

Passo 2

Imagem ilustrativa: o mesmo corte da coluna lombar com o tubo fino e claro no lugar; parte do osso e do ligamento engrossados de trás do canal foi retirada, e o saco de nervos aparece redondo, sem aperto.12345
  1. 1Endoscópio
  2. 2Parte do osso retirada
  3. 3Ligamento retirado
  4. 4Disco (não é retirado)
  5. 5Saco de nervos
Na estenose, a equipe entra por trás. 1) O endoscópio chega aos ossos de trás da coluna, onde o canal está apertado. 2) Por ele, o cirurgião retira parte do osso e do ligamento engrossados que apertam os nervos. Imagem ilustrativa.

Da primeira conversa à decisão.

  1. 11

    Consulta particular

    Um dos neurocirurgiões ouve sua história, examina você e olha seus exames.

  2. 22

    Vocês decidem juntos

    Seguir sem cirurgia, fazer a endoscópica ou outra técnica. Pesam há quanto tempo dói, a força nas pernas e o que você prefere.

  3. 33

    Orçamento depois da avaliação

    Só se a cirurgia for indicada.

  4. 44

    Onde

    A equipe opera em hospitais de São Paulo, como Sírio-Libanês, Einstein, Oswaldo Cruz, Samaritano, Santa Catarina, 9 de Julho, São Camilo, Santa Paula, São Luiz e Blanc. O hospital é combinado com você; a lista não indica convênio nem cobertura de plano.

Atendimento particular.

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Uma conversa franca antes de operar.

Como toda cirurgia de coluna, a endoscópica tem riscos. Entre eles: lesão da capa que envolve os nervos, formigamento na perna, lesão de um nervo, sangramento, infecção e a hérnia voltar. Com ou sem cirurgia, nem sempre a dor some por completo. Nem todo caso é de cirurgia, e nem toda cirurgia precisa ser endoscópica. A endoscopia costuma não ser indicada para dor só nas costas.

O que mais você precisa saber

Os riscos, em detalhe

  • lesão da capa que envolve os nervos (dura-máter), com vazamento do líquido que os banha;
  • formigamento, queimação ou dormência na perna, descritos sobretudo em estudos da entrada pela lateral e em geral passageiros; quando duram, o resultado tende a ser pior;
  • sangramento dentro da coluna (hematoma) e infecção;
  • lesão de um nervo, com perda de força ou de sensibilidade, passageira ou não;
  • na coluna torácica, perto da medula, piora da força ou da sensibilidade;
  • pedaço de hérnia que fica para trás, hérnia que volta e nova cirurgia;
  • passar para a cirurgia aberta durante a operação.

Pode não resolver por completo

Nem todo mundo se recupera por completo, com ou sem cirurgia. A dor na perna costuma melhorar nas primeiras semanas e seguir melhorando por meses; a dor nas costas, quando existe, pode continuar.

Quando pode não ser indicada

Coluna instável, que precise ser fixada: uma revisão de estudos trata isso como contraindicação à endoscopia. Dor com suspeita de tumor, infecção ou trauma segue outro caminho de investigação.

Treinamento

A técnica exige treinamento. Nos primeiros casos de cirurgiões que estavam aprendendo, a operação demorou mais e houve mais reoperações; os autores reforçam a importância de um mentor experiente.

Outros caminhos

Seguir sem cirurgia, com acompanhamento, ou fazer a cirurgia aberta. A escolha é feita com você.

Perguntas frequentes

Tenho medo de operar. É normal?

É normal, e nós conversamos sobre isso. A consulta não obriga você a nada: a decisão é tomada junto com você. Se a cirurgia for indicada, você sabe antes como serão a anestesia, a internação e os riscos. Em um estudo holandês com 613 pacientes, a endoscopia pela lateral foi feita com anestesia local e sedação e planejada sem precisar dormir no hospital.

A cirurgia vai resolver minha dor?

Ninguém pode prometer o resultado de uma cirurgia. O que se sabe: em um estudo holandês com 613 pacientes (a análise principal usou só os casos de cirurgiões já treinados), a dor na perna melhorou ao longo do primeiro ano nos dois grupos (endoscopia pela lateral e cirurgia aberta), e a diferença entre eles foi pequena. Em geral, a melhora já aparecia nas primeiras semanas e seguia por meses. Mas nem todo mundo melhora por completo, a dor nas costas pode continuar e a hérnia pode voltar.

E se eu não precisar operar?

Isso acontece com muita gente. A maioria das pessoas com ciática por hérnia melhora sem cirurgia. Nesse caso, a consulta serve para orientar o tratamento sem cirurgia. Numa pesquisa holandesa com ciática forte, operar logo (cirurgia aberta) aliviou a perna mais depressa; um ano depois, quem esperou estava parecido com quem operou, e parte de quem esperou acabou operando. Quando a dor já durava de 4 meses a 1 ano, uma pesquisa canadense, de um só hospital, viu menos dor na perna, aos 6 meses, em quem operou; uma pesquisa maior, nos Estados Unidos, teve resultado menos claro. O tempo de dor pesa na decisão. Fraqueza nas pernas ou nos pés que seja nova ou importante é sinal de urgência: procure um pronto-socorro.

Aceita convênio?

Os honorários médicos são particulares: a consulta e, se a cirurgia for indicada, o orçamento, que vem só depois da avaliação. O plano de saúde pode ser usado para pagar a internação, o centro cirúrgico e os equipamentos, conforme o seu plano e a autorização dele.

Vou ficar parado muito tempo?

Na prática da nossa equipe, a volta às atividades costuma acontecer em cerca de 7 dias, às vezes antes; alguns casos precisam de mais tempo. Já para sair da cama: em um estudo holandês com 613 pacientes (a análise principal usou só os casos de cirurgiões já treinados), a maioria se levantou no mesmo dia da cirurgia, nas duas técnicas (endoscopia pela lateral e cirurgia aberta); na endoscopia, o plano do estudo era a alta no mesmo dia. A dor na perna costuma melhorar nas primeiras semanas e seguir melhorando por meses. O seu plano de volta às atividades é feito na consulta.

Fico internado?

Em geral, a equipe mantém você 1 dia no hospital, por cuidado. Sair no mesmo dia é possível, conforme o caso.

Qual anestesia?

Pela lateral (transforaminal), em geral é anestesia local com sedação. Por trás (interlaminar) e na estenose, em geral é anestesia geral. A escolha final é feita com o anestesista e depende de você e do ponto da coluna operado. Com anestesia local, alguns pacientes sentem desconforto durante o procedimento.

Como se compara com a cirurgia aberta?

Em um estudo holandês com 613 pacientes (a análise principal usou só os casos de cirurgiões já treinados), a endoscopia pela lateral aliviou a dor na perna de forma parecida com a cirurgia aberta, um ano depois; as diferenças foram pequenas. Um resumo de 14 pesquisas, do mesmo grupo de autores, também não viu diferença na dor na perna a partir de alguns meses. No canal estreito, as pesquisas são menores, e a indicação é feita caso a caso. O que esse estudo mostrou de diferente: a endoscopia, feita pela lateral, foi planejada sem precisar dormir no hospital, e a cicatriz ficou menor. Há riscos próprios, como formigamento na perna e pedaço de hérnia que fica para trás. A técnica é escolhida pelo seu caso.

É o mesmo que endoscopia digestiva?

Não. Endoscopia é o método de olhar por dentro do corpo com um instrumento com câmera de vídeo, o endoscópio. Na endoscopia digestiva, ele examina o estômago ou o intestino. Na coluna, ele é usado numa cirurgia, feita no centro cirúrgico.

Preciso levar exames?

Se tiver, traga ressonância, tomografia ou raio-X, com os laudos. Se faltar algum, ele é pedido na consulta.

Vamos ver se é o seu caso.

Na consulta, o neurocirurgião procura entender de onde vem a dor e se a cirurgia faz sentido agora, ou não.

Atendimento particular. O orçamento da cirurgia vem só depois da avaliação.

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R. Dona Adma Jafet, 50, cj. 101, Bela Vista · em frente ao Hospital Sírio-Libanês · Outras formas de contato

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Referências

Estas são as pesquisas e os documentos que apoiam as informações desta página. Algumas pesquisas são grandes; outras são pequenas, antigas ou feitas por um só grupo de médicos. Por isso a página diz "em um estudo" e não promete resultado. Os títulos estão no idioma original.

1. Ciática: operar ou esperar

  • [R1] Peul WC, et al. Surgery versus prolonged conservative treatment for sciatica. N Engl J Med. 2007;356(22):2245-56. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/17538084/
  • [R2] Peul WC, et al. Prolonged conservative care versus early surgery in patients with sciatica caused by lumbar disc herniation: two year results. BMJ. 2008;336(7657):1355-8. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/18502911/
  • [R3] Lequin MB, et al. Surgery versus prolonged conservative treatment for sciatica: 5-year results of a randomised controlled trial. BMJ Open. 2013;3(5):e002534. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23793663/
  • [R4] Bailey CS, et al. Surgery versus conservative care for persistent sciatica lasting 4 to 12 months. N Engl J Med. 2020;382:1093-1102. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32187469/ (um só hospital)
  • [R5] Lurie JD, et al. Surgical versus nonoperative treatment for lumbar disc herniation: eight-year results for the Spine Patient Outcomes Research Trial. Spine. 2014;39(1):3-16. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24153171/
  • [R6] Vadalà G, et al. AO Spine clinical practice recommendations: when to operate in lumbar disc herniation. Global Spine J. 2026 (publicação online antecipada). pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42770238/
  • [R7] Jacobs WC, et al. Surgery versus conservative management of sciatica due to a lumbar herniated disc: a systematic review. Eur Spine J. 2011;20(4):513-22. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20949289/
  • [R8] Chiu CC, et al. The probability of spontaneous regression of lumbar herniated disc: a systematic review. Clin Rehabil. 2015;29(2):184-95. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25009200/

2. Tratamento sem cirurgia e quando considerar operar

  • [R9] National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Low back pain and sciatica in over 16s: assessment and management (NG59). Publicada em 30/11/2016, atualizada em 29/07/2026. nice.org.uk/guidance/ng59/chapter/Recommendations
  • [R10] Costa F, et al. Role of surgery in primary lumbar disk herniation: WFNS spine committee recommendations. World Neurosurg X. 2024;22:100276. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38496347/ (consenso de um comitê da federação mundial de neurocirurgia, WFNS)
  • [R11] Mathieson S, et al. Trial of pregabalin for acute and chronic sciatica. N Engl J Med. 2017;376:1111-20. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28328324/
  • [R12] Goldberg H, et al. Oral steroids for acute radiculopathy due to a herniated lumbar disk: a randomized clinical trial. JAMA. 2015;313:1915-23. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25988461/
  • [R13] Oliveira CB, et al. Epidural corticosteroid injections for lumbosacral radicular pain. Cochrane Database Syst Rev. 2020;4:CD013577. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32271952/

3. Cirurgia endoscópica na hérnia de disco

  • [R14] Gadjradj PS, et al. Full endoscopic versus open discectomy for sciatica: randomised controlled non-inferiority trial. BMJ. 2022;376:e065846. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35190388/ (texto completo gratuito: PMC8859734). O que considerar: os pacientes sabiam qual cirurgia fizeram; parte de quem preferia a endoscopia desistiu ao ser sorteada para a cirurgia aberta; o acompanhamento foi de um ano; os casos de aprendizado dos cirurgiões ficaram fora da conta principal. A favor: financiado por um órgão público holandês de pesquisa em saúde (ZonMw), sem participação da indústria e sem vínculo financeiro declarado pelos autores.
  • [R15] Gadjradj PS, et al. Percutaneous transforaminal endoscopic discectomy versus open microdiscectomy for lumbar disc herniation: a systematic review and meta-analysis. Spine. 2021;46(8):538-49. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33290374/ (feita pelo mesmo grupo de [R14])
  • [R16] Rasouli MR, et al. Minimally invasive discectomy versus microdiscectomy/open discectomy for symptomatic lumbar disc herniation. Cochrane Database Syst Rev. 2014;(9):CD010328. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25184502/ (anterior a [R14]; junta técnicas diferentes)
  • [R17] Ruetten S, et al. Full-endoscopic interlaminar and transforaminal lumbar discectomy versus conventional microsurgical technique: a prospective, randomized, controlled study. Spine. 2008;33(9):931-9. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/18427312/ (um só centro)
  • [R18] Tezuka F, et al. Anatomical considerations of the iliac crest on percutaneous endoscopic discectomy using a transforaminal approach. Spine J. 2017;17(12):1875-80. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28645675/
  • [R19] Kotheeranurak V, Liawrungrueang W, Quillo-Olvera J, et al. Full-Endoscopic Lumbar Discectomy Approach Selection: A Systematic Review and Proposed Algorithm. Spine. 2023;48(8):534-544. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36745468/ (proposta de um grupo de autores, ainda não testada)
  • [R20] Zhou G, Liang Z, Gao F, et al. Percutaneous Endoscopic Lumbar Discectomy for Calcified Lumbar Disc Herniation: A Retrospective Cohort Study, Systematic Review and Meta-Analysis. Pain Physician. 2024;27(1):E1-E15. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38285024/

4. Canal estreito (estenose lombar)

  • [R21] Lurie J, Tomkins-Lane C. Management of lumbar spinal stenosis. BMJ. 2016;352:h6234. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26727925/
  • [R22] Kreiner DS, et al. North American Spine Society. Evidence-based clinical guideline for degenerative lumbar spinal stenosis (update). Spine J. 2013;13(7):734-43. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23830297/ (anterior à difusão da endoscopia)
  • [R23] Delitto A, et al. Surgery versus nonsurgical treatment of lumbar spinal stenosis: a randomized trial. Ann Intern Med. 2015;162(7):465-73. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25844995/
  • [R24] Komp M, et al. Bilateral spinal decompression of lumbar central stenosis with the full-endoscopic interlaminar versus microsurgical laminotomy technique. Pain Physician. 2015;18(1):61-70. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25675060/ (um só centro, que desenvolve a técnica)
  • [R25] Ruetten S, et al. Surgical treatment for lumbar lateral recess stenosis with the full-endoscopic interlaminar approach versus conventional microsurgical technique. J Neurosurg Spine. 2009;10(5):476-85. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/19442011/ (mesmo grupo de [R24])
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5. Coluna torácica

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6. Anestesia, internação, cicatriz e recuperação (ver também [R14])

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7. Riscos, volta da hérnia e treinamento do cirurgião

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8. Sinais de urgência

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9. O que é "endoscopia de coluna"

  • [R53] Sociedade Brasileira de Coluna, Sociedade Brasileira de Neurocirurgia e Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia. Nota de esclarecimento: endoscopia da coluna. 31/08/2021. coluna.com.br/post/nota-esclarecimento-endoscopia-da-coluna
  • [R54] Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.380/2024 (Portaria CME nº 1/2024: especialidades médicas e áreas de atuação). sistemas.cfm.org.br/normas/arquivos/resolucoes/BR/2024/2380_2024.pdf

Dr. Joel Augusto Ribeiro Teixeira · Médico · CRM-SP 73.479 · Neurocirurgião · RQE 15.854

Clínica Neurocirúrgica Osaka S/S · CNPJ 06.906.122/0001-28 · Registro CREMESP (CRM da empresa) 937538 · Diretor Técnico-Médico: Dr. Flávio Key Miura, CRM-SP 75.675

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